domingo, 29 de setembro de 2013

Resenha: Sábado À Noite 2 - Dos bailes para a Fama

Olha só quem está de volta no Arquivando-me! SAN, o meu queridinho de toda a vida. Com tanto tempo de blog, vocês já devem ter notado meu amor, carinho e admiração pela estória e pela autora da triologia.


Já vou lhes dizendo que a resenha pode conter spoilers, não passei a última madrugada chorando debruçada no meu exemplar atoa. Fazia séculos que não chorava tanto com um livro, o último que me fez chorar foi "Unsaid Things". Gostaria de deixar nesse espaço meu apelo para Babi, por favor, lance logo a continuação, meu coração não aguenta mais esperar.

Sabe quando dizem que o segundo livro nunca é bom o suficiente, que continuações são chatas e maçantes? SAN2 foge completamente desses paradigmas! Não que o primeiro volume seja inferior, muito pelo contrário, ambos são maravilhosos, mas a continuação acaba fisgando-lhe de uma vez por todas, quando você se vê lendo o livro, já não consegue mais escapar, está dentro do livro, se envolveu emocionalmente e torce pelos casais se acertarem até seu último fio de cabelo.

Amanda está sozinha, ela mudou, todos mudaram! Os 'losers' agora são os populares, e as queridinhas da escola perderam esse posto assim que a máscara caiu no último baile de Sábado À Noite, as fofocas tomaram conta dos corredores da escola, Daniel não estava mais ali, ele estava longe, impedido de cuidar de Amanda. Bruno não quis nem saber da versão da garota.


Entre páginas e páginas, as meninas vão cedendo e se tornando as 'marotas', os meninos agora não são apenas os mascarados dos bailes, que passavam o dia escrevendo músicas, se entupindo de pizza e vídeo-game, agora eles eram rapazes preocupados com suas "namoradas", assim, entre aspas mesmo, já que para o Rafael e para o Bruno não foram apenas flores o último ano na escola.

A vontade de viver e ser uma das adolescentes do livro é algo que sempre vai me perseguir, ainda mais pela superproteção de meus pais, imagine só viver mais na casa dos amigos do que na própria casa? Fazendo farra, bebendo, vivendo amores, brincando e é claro, a música nunca pode faltar.

Um festival acaba mostrando para todos eles, o quão unidos estavam, e mesmo Carol se mostrando a mais fresca da turma, aparentemente havia mudado tanto quanto as amigas, ela nunca aceitaria passar alguns dias hospedada em um pulgueiro no terceiro andar.


Mesmo com todo o drama de Amanda e Daniel, e a minha incontrolável vontade de estapear a cara dos dois, quando o livro vai chegando no final, o coração fica pequeno, mais um volume da estória e nada dos dois estarem juntos, seja namorando, ou casando.

E se você adorou o Kevin no primeiro livro, saiba que na continuação é ainda melhor, aliás, se não fosse pelo seu casamento, nós nunca teríamos presenciado um reencontro do pessoal. Me senti a Amanda, com toda essa coisa de morar na casa dos pais (durante e depois da faculdade), mas isso eu espero mudar o mais rápido possível! SAN acabou mexendo um pouquinho com o meu psicológico nessa parte (não só nessa, ok, vocês entenderam).

Ah, mudança de conceitos! Fred querido, desculpe, mas estou te trocando pelo Rafael, doce de coco sofreu muito durante esse livro, eu ainda te amo, porém amo mais o Rafael.

Leiam SAN2, comprem, façam a festa, é um dos melhores livros que eu já li! Apesar de alguns errinhos que a edição deixou passar, você com certeza irá se envolver com a estória e querer mais, assim como eu que já estou arrancando cabelos ruivos de tanta ansiedade.



Espero que vocês tenham gostado!
Fernanda Costa

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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Resenha: A Culpa é das Estrelas

"Aparentemente, o mundo não é uma fábrica de realização de desejos."


Demorei para conseguir um exemplar emprestado, mas quando consegui procurei ler o mais rápido possível, para saber quais são os motivos de ser um dos livros mais comentados de todos os tempos. Três dias de leitura me foram o suficiente para mostrar que nem todo best-seller me agrada.

Segurem suas pedras, não as joguem ainda, não quero dizer que achei o livro inteiramente chato, na verdade, a temática dramática (opa, rimou!), me lembrou muito "Uma Prova de Amor", claro que há muitas diferenças, mas enfim.

Segundo uma menina da minha sala (a mesma que me emprestou o livro), eu deveria ler o livro por causa da Hazel, já que somos chatas de um modo bem parecido e temos essa mania da tal da leitura. Hazel conhece Gus, ambos estão fadados a viver feitos uma granada, tudo isso por causa do câncer, nunca sabem quando vão 'explodir' e quantas vítimas farão. Eles se apaixonam, mas ela vive querendo meio que se esgueirar por medo de morrer e fazer com que seu amor sofra, por fim, ela acaba provando seu amor e está sempre ao lado de Gus, até nos momentos ruins que o garoto passa. O bacana do livro é a troca mutua de amor entre os dois, como quando o Gus deixa que Hazel 'roube' seu desejo e leva ela para Amsterdã.

Fui com tanta 'sede ao pote', que acabei me afogando com minhas próprias expectativas. Esperava uma escrita absurda, daquelas super elaboradas que se você pisca já fica com medo de perder alguma coisa do livro, mas não, é uma escrita bem simples e sem muitos rodeios.

Confesso que tive de segurar o choro muitas vezes, já que boa parte do livro eu li no trabalho, não seria nada legal se meu chefe me visse chorando na sala dos professores, como disse para uma amiga, por mais que não tenha visto nada demais, eu tenho coração, e me comovi sim com a estória dos dois.


Quando estava na metade do livro, comentei com a minha melhor amiga sobre ele soar (para mim) como um tapa na cara, mostrando que até a Hazel, que está quase morrendo, consegue um namorado e eu não.

Mais uma vez falei muito e não falei nada, acho que vocês precisam me reprovar quando o assunto é resenhar alguma coisa, mas também não quero estragar a leitura caso alguns ainda não tenham lido o livro e desejam ler, só não corram para ele com tantas expectativas como eu fui.

Minha meta de leitura dessa semana é Cidade dos Ossos, já faz um bom tempo que está comigo, mas resolvi dar preferência para A Culpa é das Estrelas, que espero honestamente, não se tornar uma grande decepção quando for para as telonas, já que tem tudo para ser um drama daqueles que não nos importamos em chorar em locais públicos.

Fernanda Costa
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Minha pele, minhas regras!


Quinta-feira(29/08), dia de acordar com dezessete anos na cara, dia do meu aniversário, dia de ouvir comentários bobos da galera do fundo que não sai do facebook, dia de receber os parabéns das minhas colegas, e dia de ouvir alguma frase muito idiota da minha melhor amiga.

Em meio aos tantos parabéns que recebi no facebook, resolvi postar "Só mais 365 dias para as tatuagens", pronto, já foi o suficiente para receber uma ligação inoportuna, super preocupada com o que farei na minha pele daqui um ano, preocupada é pouco, a pessoa do outro lado estava surtando mesmo, como se eu estivesse segurando uma arma apontada para minha cabeça.

Dentre as tantas besteiras, acabei ouvindo que "as empresas não vão querer uma garota tatuada trabalhando para eles", desde quando uma empresa pode mandar no meu corpo? Na minha pele? Algo meu, que se eu quiser vou encher de tatuagens, pronto e acabou! Em pleno século vinte e um, sério mesmo que ainda rola todo esse preconceito?

Desde que passamos a entender nossas vidas, ficamos cientes de que aos dezoito somos quase que oficialmente donos de nossos próprios narizes, menos como se mora na casa dos pais, isso não te faz totalmente dono do próprio nariz.

Quando chegar a hora dos meus dezoito, farei minhas tatuagens, e até lá, meu alargador não será de apenas 1mm, e por trás de toda essa "rebeldia adolescente", as empresas precisam encarar que há uma profissional, mesmo com toda a tinta na pele, com todas as transformações, com tudo, TUDO MESMO!

Eu não estou aqui estudando atoa para ouvir de alguém que não sirvo para fazer coisas que sempre fiz, já tenho prática, os rabiscos na minha pele não me deixaram menos capaz, não esconderei, não temerei, se quiser tatuar, sei lá, o rosto, farei isso, pronto e acabou. Problema de quem deixar de me contratar por coisas assim.


Fernanda Costa



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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Entre aspas: "Deixem as gordas em paz"

Por um mundo onde "você emagreceu" não seja elogio e "você engordou" não seja afronta

por Clara Averbuck 

"Você emagreceu!" é automaticamente interpretado como elogio. "Você engordou" é algo que ninguém aceita bem.
Você emagreceu! Você está leve, está linda, está fina. Elegante. Está fazendo exercícios? Está comendo melhor? Parabéns!

Você engordou! Nossa, o que aconteceu? Relaxou? Está com problemas? É ansiedade? Já fez exames? Come muito doce?

Bom, preciso dizer que magreza não é sinal de saúde? Preciso dizer que 95% dos pacientes com anorexia são mulheres? Preciso dizer que a anorexia é inclusive tratada como epidemia em alguns países, tendo a doença alto índice de mortalidade (1 a cada 5 pacientes)?

Não tem roupa pra gorda no Brasil. Não tem mercado pra gorda no Brasil. Pessoas gordas sofrem preconceito em entrevista de emprego (li que precisam fazer cerca de quarenta entrevistas a mais do que uma pessoa magra). Não tem gorda na televisão, a não ser quando é no papel d'A Gorda. Pessoas gordas sofrem preconceito no sistema de saúde. Pessoas gordas sofrem preconceito no transporte público. Pessoas gordas não são doentes. Pessoas gordas são apenas gordas.

Não tem roupa pra gorda no Brasil. Não tem mercado pra gorda no Brasil. Pessoas gordas sofrem preconceito em entrevista de emprego (li que precisam fazer cerca de quarenta entrevistas a mais do que uma pessoa magra). Não tem gorda na televisão, a não ser quando é no papel d'A Gorda. Pessoas gordas sofrem preconceito no sistema de saúde. Pessoas gordas sofrem preconceito no transporte público. Pessoas gordas não são doentes. Pessoas gordas são apenas gordas.

Muitas mulheres convivem com essa neurose diariamente. Muitas mesmo. Quantas amigas suas vivem de dieta? Quantas amigas suas morrem de culpa por comer um pedacinho de bolo? Quantas mulheres entram em depressão por causa de seus corpos depois da gravidez? Quantas delas correm para a academia querendo entrar "em forma" o mais rápido possível? Quantas tomam remédio pra emagrecer? Quantas morrem de vergonha de seus corpos na praia? Quantas conseguem ficar de boa ao vestir um biquini sem ter se esforçado pra estar "em forma"? E quantas das que eram gordas e emagreceram agora tiram onda das que continuam gordas? É claro que você pode ir pra academia. É claro que você pode malhar, pode inclusive ser musculosíssima, pois o corpo é seu. O que nós queremos é apenas que todos os corpos sejam aceitos. Todos os corpos. Os malhados. Os naturalmente magérrimos. E os gordos. Sim, as gordas querem ser aceitas e felizes. E amadas e bonitas e tratadas como pessoas normais, não como "aquela gorda", estando isso à frente de tudo mais que ela for.

A quem argumenta que as magras também sofrem: sim, todas as mulheres que estão fora do padrão de beleza sofrem. E as que não estão também. Nunca está bom. Você nunca vai ser boa o suficiente. Você vai pra sempre ter que pensar nisso. Mulher não pode engordar. Não pode ser muito magra. E não pode envelhecer. É ridículo ouvir que "homem gosta de ter onde pegar", como se agradar os homens fosse o objetivo final da vida de cada mulher. Todas sofrem. As muito magras, as negras, as gordas. Não estamos jogando supertrunfo da opressão.Mas há obviamente uma pressão maior sobre as gordas. Se for negra e gorda, então, muito pior. Vamos falar GORDAS, não "gordinhas", "fofinhas" ou "gordelícia", porque GORDA não é xingamento. Uma pessoa gorda não é pior do que uma pessoa magra. Nem mais preguiçosa, nem mais relapsa, e nem tem menos "força de vontade". Força de vontade PRA QUE, minha gente? Pra se enquadrar em um padrão excludente? As gordas que emagrecem são parabenizadas. Glorificadas. "Parabéns pela sua incrível força de vontade!" Ninguém pensa na triste possibilidade de essa força de vontade talvez estar vindo de uma terrível angústia por causa da pressão social. É claro que a pressão nem sempre vem de fora pra dentro. Você pode perfeitamente não se sentir bem em seu corpo e querer mudar; como eu já disse, o corpo é seu. Mas saiba que isso é algo pessoal e que é lamentável que isso vire uma cruzada chamando todas as pessoas que são gordas para também entrarem "em forma". Isso não deveria estar no centro das nossas vidas. Nós não estamos aqui para enfeitar o mundo. Somos mulheres, não adornos.

Veja bem, eu não estou usando um tom acusatório. Eu inclusive sinto isso na minha pele, sempre senti. A vida inteira eu convivi com essa paranoia. Tomei um milhão de remédios para emagrecer. Vivia querendo ser magra. E eu nem era gorda! Porém me entendia gorda. Obesa. Horrível. Eu precisava emagrecer. Chorava quando engordava um pouquinho. Vivia pensando nisso, carregava a neurose como uma bigorna pendurada no pescoço. A pressão era terrível. Eu achava que tinha que ser perfeita. Achei que estava perfeita depois de uma crise em que fiquei dias sem comer. Eu estava horrível, estava um caco, mas estava esquálida e me achando linda, com muita gente ao meu redor aprovando o absurdo. Eu sei como é. Eu sei o que a gente passa. Não é fácil se livrar disso. Volta e meia ainda tenho umas crises que podem até atrapalhar a minha vida sexual. Ninguém está livre e a culpa não é de quem sucumbe; é muito difícil conviver diariamente com todas as pressões de um mundo que vê os gordos - mais especificamente as gordas - como pessoas piores.

(Já sei que vai ter um monte de gente dizendo que GORDURA NÃO É SAUDÁVEL AS PESSOAS MORREM DE OBESIDADE AS PESSOAS GORDAS GORDAS GORDAS MORREM GORDAS MORREM. A vocês apenas digo: busquem conhecimento, pois não é bem assim. Tem muito gordo com a saúde nos trinques.)

Exaltar a beleza das gordas não é dizer que as magras não estão mais autorizadas a serem belas. Não é tentar estabelecer um novo padrão, uma ditadura da celulite, e sim aceitar uma democratização da beleza. É não olhar feio quando a gorda quiser comer um xis-tudo, porque o corpo é dela, consequentemente, a saúde também. Não use o argumento da saúde para cagar regra no corpo alheio. Dificilmente fazem isso com as magras. Dificilmente condenam meninas evidentemente doentes, pelo contrário, elas têm a magreza elogiada e exaltada e são encorajadas a continuarem com a loucura de não comer, de vomitar, de perder, perder, perder. Não é uma preocupação com a saúde. É pura e simples cagação de regra.
Anorexia é a primeira causa de morte entre pessoas do sexo feminino entre 14-25 anos. E é esse padrão que causa isso. Mulheres morrem porque querem ser magras. Mulheres morrem porque não querem ser chamadas de gordas.

Gorda não é xingamento. Deixem as gordas em paz. Deixem as gordas de biquíni. Deixem as gordas mostrarem a barriga, deixem as gordas usarem o tamanho de saia que quiserem. Deixem as gordas terem namorados sem pensar "nossa, esse aí podia conseguir coisa melhor". Gorda não é "coisa". Gorda é gente.
Apenas deixem as gordas em paz.

Postado originalmente em Carta Capital.

Estava zapeando pelo facebook quando me deparei com esse post, quando me vi estava quase que abraçada ao monitor, pensando nos dias em que passo ouvindo minhas amigas dizendo quantos quilos querem perder até o fim do mês, quantas calorias podem ingerir no dia e eu acabo enlouquecendo, me sentindo gorda e absurdamente fora dos padrões. Magicamente vários posts na internet procuram confortar pessoas "diferentes" e nos mostrar que é tudo coisa da nossa cabeça, então, fico realmente agradecida por textos como esse.

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